Contexto Noruega-Brasil

O primeiro contato

A relação bilateral entre a Noruega e o Brasil começou em 1842, quando o navio norueguês Nordstjernen chegou pela primeira vez no Rio de Janeiro carregado de bacalhau. Em troca do bacalhau, o navio norueguês voltou com açúcar e café. Por causa desse primeira troca comercial, as duas nações iniciaram uma longa tradição de comércio desses produtos e com atividades das companhias de navegação norueguesas no Brasil. Além disso, os brasileiros estão atualmente entre os maiores consumidores de bacalhau norueguês e os noruegueses são um dos maiores bebedores de café brasileiro do mundo.

Início das relações diplomáticas

Em 1905, o Brasil, com o Barão de Rio Branco afrente da diplomacia, foi um dos primeiros países a reconhecer a independência do Reino da Noruega, depois da Rússia e no mesmo dia que Bélgica, Estados Unidos, Itália, Reino Unido e Suíça. O Brasil também se tornou o primeiro país sul-americano a iniciar relações diplomáticas regulares com o país nórdico. A presença comercial norueguesa no Brasil seria reforçada com a chegada em 1953 do empresário Erling Lorentzen, casado com a princesa Ragnhild, filha do rei Olav V. Lorentzen, que fundou a Norsul Shipping Company, uma das maiores empresas privadas do setor. A visita do rei Olav V ao Brasil em setembro de 1967 foi a primeira de um Chefe de Estado da Noruega na América Latina e, neste contexto, assumiu um significado político para as relações entre os dois países, reforçada pela presença do casal real no desfile militar comemorando o dia da independência do Brasil no Rio de Janeiro. O componente econômico comercial da visita também esteve presente, com a participação do Ministro da Indústria, Sverre Rostoft, na delegação oficial. A visita de Estado promoveu a negociação e assinatura de acordos sobre comércio de celulose, transporte aéreo e consulta entre autoridades marítimas.

A consolidação da democracia brasileira, a abertura da economia e a estabilização monetária no Brasil na década de 1990 geraram novas oportunidades para o investimento norueguês no país, destacado pela promulgação da Lei do Petróleo 9.478 que, entre outras disposições, determinou o fim do monopólio da Petrobras em exploração e produção de petróleo e gás natural.

Anos 2000

A visita de estado ao Brasil do Rei Harald V e da Rainha Sonja, em 2003, abriu novo capítulo no relacionamento bilateral. O casal real foi acompanhado de diversos ministros e, até então, da mais numerosa e diversificada delegação de empresários noruegueses, com cerca de 150 integrantes. A visita de Estado ao Brasil contou com “sólido apoio empresarial” e visava “conferir apoio às empresas norueguesas estabelecidas no Brasil, bem como abrir portas para novas companhias que queiram ali instalar-se.” Seminários e rodadas de negócios foram organizados no Rio de Janeiro e em São Paulo, em parceria com a FIRJAN e a FIESP, respectivamente. A Associação Norueguesa das Indústrias no Setor de Petróleo e Gás (INTSOK) definiu o Brasil como mercado prioritário e decidiu estabelecer escritório no Rio de Janeiro, com a agência de promoção comercial Innovation Norway. No plano diplomático, a visita de Estado estabeleceu nova área de diálogo e de cooperação bilateral ao ser organizado, no Instituto Rio Branco, na presença do Rei Harald, o primeiro Seminário Brasil-Noruega sobre Paz e Reconciliação.

A Visita do Primeiro-Ministro Jens Stoltenberg ao Brasil, em 2008, um ano após o convite formulado pelo Presidente Lula durante a visita de Estado à Noruega, representou continuidade do diálogo no mais alto nível no relacionamento bilateral. O programa e a agenda da visita refletiram avanços concretos. Na vertente econômica, a presença do Primeiro-Ministro na Feira Rio Oil & Gas simbolizou a capacidade dos investimentos diretos noruegueses nos setores naval e offshore de conferir nova dimensão ao relacionamento econômico e tecnológico entre os dois países. No plano diplomático, a assinatura do Memorando de Entendimento sobre cooperação em temas relacionados ao combate ao aquecimento global, à proteção da biodiversidade e ao fortalecimento do desenvolvimento sustentável, seguido do anúncio, pelo Primeiro-Ministro Stoltenberg, do apoio da Noruega ao Fundo Amazônia, representaram a expressão de uma “parceria inovadora”, em nível global. A contribuição da Noruega para o Fundo Amazônia foi a primeiro contribuição voluntária de um país para um programa de desenvolvimento sustentável gerido a nível nacional. Também destacou o reconhecimento da vontade política do Brasil, capacidade institucional e tecnologia.

O intercâmbio de visitas do Estado, bem como a visita oficial do primeiro-ministro Jens Stoltenberg, foram um passo para intensificar o diálogo político ao mais alto nível em questões bilaterais e globais - clima, redução da pobreza, saúde , comércio internacional, manutenção da paz, sistema das Nações Unidas, arquitetura financeira internacional - bem como a crescente presença norueguesa em setores estratégicos para o desenvolvimento econômico brasileiro, especialmente energia e construção naval.

Em 2009, as visitas ao país nórdico pelos ministros Tarso Genro e Altemir Gregolin inauguraram duas novas vertentes de cooperação: o diálogo sobre a diversidade cultural e religiosa, no contexto da iniciativa Aliança das Civilizações e do setor da pesca e da aquicultura. Os ministros Altemir Gregolin e Helga Pedersen assinaram um Memorando de Entendimento sobre cooperação em aquicultura e outras áreas de interesse comum, como a gestão de recursos marinhos, em 5 de março de 2009. O instrumento fornece a coordenação de ações voltadas para a troca de tecnologia e atrair investimentos noruegueses no Brasil. Com base na experiência histórica nas atividades de pesca, que coloca o país no segundo lugar no mundo nas exportações de produtos da pesca, a Noruega desenvolveu capacidades institucionais reconhecidas na gestão da aquicultura, além de tecnologias de melhorias, melhorias genéticas e saúde animal. Existe um interesse especial pela promoção da aquicultura de espécies nativas da Amazônia brasileira. A possibilidade de fornecer proteínas animais da aquicultura foi reconhecida como um novo "paradigma" para o desenvolvimento sustentável nas regiões florestais e como um dos instrumentos de preservação da Amazônia.

Anos recentes

Em 2015, o príncipe herdeiro Haakon veio ao Brasil para uma visita de Estado com uma delegação de quase 100 pessoas. A visita incluiu uma reunião com o vice-presidente Temer para discutir a amplificação da cooperação entre a Noruega e o Brasil em várias áreas - incluindo a proteção da região amazônica, para a qual a Noruega contribui financeiramente. Após a reunião, o Príncipe Herdeiro continuou seu programa abrindo uma mesa redonda sobre comércio e indústria, discutindo conjunturas e cooperação. No Rio de Janeiro, o Príncipe Herdeiro abriu uma sessão plenária para uma audiência de mais de 400 pessoas. Os seminários tiveram foco em empresas de petróleo e gás e indústria marítima, de energia renovável, frutos do mar e startups.

Em 2016, 6 entre 10 das maiores empresas da Noruega com presença significativa no Brasil, espalhadas pelo país e cerca de 120 companhias norueguesas estabelecidas. A Noruega é o 8º maior investidor no Brasil.

Baseado em: Guimarães, Paulo Roberto, Brasil-Noruega: construção de parcerias em áreas de importância estratégica, Fundação Alexandre de Gusmão e Ministério das Relações Exteriores, 2011